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Estudo sugere que Doença de Parkinson pode ter origem nos rins

Estudo sugere que Doença de Parkinson pode ter origem nos rins
  • Publishedjulho 1, 2025

Pesquisadores chineses apresentaram uma nova hipótese que pode transformar a compreensão atual sobre a Doença de Parkinson. Tradicionalmente considerada um distúrbio neurodegenerativo que se inicia no cérebro, a condição pode, na verdade, ter origem em outro órgão: os rins. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Neuroscience e levanta a possibilidade de que os primeiros sinais da doença ocorram fora do sistema nervoso central.

A Doença de Parkinson é caracterizada pela perda progressiva de células cerebrais produtoras de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor. Os sintomas clássicos incluem tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Embora ainda não exista cura, tratamentos como medicamentos e fisioterapia ajudam a aliviar os sintomas e retardar a evolução da doença.

O novo estudo, conduzido pela Universidade de Wuhan, na China, investigou a atuação da proteína alfa-sinucleína (α-Syn), amplamente associada ao desenvolvimento do Parkinson. Essa proteína, quando mal conformada, forma aglomerados que se acumulam no cérebro, prejudicando o funcionamento dos neurônios dopaminérgicos.

Nos experimentos com camundongos, os cientistas observaram que animais com rins saudáveis conseguiam eliminar esses aglomerados anormais da proteína. Já os que apresentavam insuficiência renal mostraram acúmulo progressivo da proteína nos rins, com posterior migração para o cérebro. Quando os nervos que conectam os rins ao cérebro foram seccionados, essa transmissão foi interrompida, sugerindo uma ligação direta entre os dois órgãos.

Além dos testes em modelos animais, os pesquisadores analisaram tecido renal humano de pessoas com Doença de Parkinson ou com demência por corpos de Lewy — outro distúrbio neurodegenerativo ligado à α-Syn. Em 10 de 11 amostras, foi identificado acúmulo anormal da proteína nos rins, reforçando a possibilidade de que o envolvimento renal anteceda os sintomas cerebrais da doença.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 200 mil pessoas convivam com o Parkinson, em sua maioria idosos. A nova linha de pesquisa aponta para um possível marcador precoce da doença e levanta a perspectiva de desenvolvimento de estratégias de diagnóstico antecipado.

Apesar dos achados promissores, os autores ressaltam a necessidade de novos estudos para validar a hipótese, especialmente em função do número limitado de amostras humanas e das limitações associadas à transposição de resultados de animais para humanos. Ainda assim, a pesquisa abre caminho para uma nova abordagem no entendimento da origem do Parkinson, com possíveis implicações no rastreamento e prevenção da doença em estágios iniciais.

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Executivos da Saúde

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