O Distrito Federal registrou um crescimento expressivo nos casos de hepatite A em 2024. Nos seis primeiros meses do ano, 39 diagnósticos foram confirmados, número que representa um aumento de 525% em relação ao mesmo período do ano anterior. A alta ocorre no contexto do Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais.
A hepatite A, de origem viral e altamente contagiosa, é transmitida principalmente por via fecal-oral, em condições de higiene precária ou ingestão de alimentos e água contaminados. Embora geralmente tenha curso autolimitado, a doença pode causar quadros graves, especialmente em adultos, e levar à hospitalização. Casos recentes envolvendo figuras públicas ampliaram a visibilidade do tema nas redes sociais.
A hepatologista Liliana Sampaio Costa Mendes, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que muitas pessoas infectadas desconhecem a doença até que ocorram complicações hepáticas mais graves, como cirrose ou câncer. “O diagnóstico precoce é essencial para evitar desfechos severos”, alerta.
A médica também ressalta que parte da população adulta pode não estar adequadamente imunizada, o que contribui para o aumento dos casos. A vacina contra hepatite A está disponível na rede pública de saúde, mas a cobertura vacinal ainda é considerada insuficiente.
Pacientes que foram diagnosticados com hepatite A relataram sintomas que, inicialmente, foram confundidos com outras condições, como viroses gastrointestinais. Febre, enjoo, dor abdominal, urina escura e icterícia (coloração amarelada da pele e olhos) estão entre os sinais mais frequentes. Em alguns casos, a evolução exigiu internação e afastamento das atividades rotineiras.
Além da hepatite A, o DF também apresentou leve aumento nos casos de hepatite B. A forma B da doença é silenciosa e pode permanecer assintomática por anos. Sua transmissão ocorre por contato com sangue contaminado ou relações sexuais desprotegidas. A hepatite C, por sua vez, é frequentemente identificada apenas em estágios avançados, sendo transmitida por instrumentos perfurocortantes não esterilizados ou transfusões realizadas antes do rigor atual nos testes de sangue.
A Secretaria de Saúde do DF intensificou, durante o mês de julho, a vacinação contra as hepatites A e B, além da oferta de testagens rápidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e na Unidade de Testagem da Rodoviária do Plano Piloto. Os testes são gratuitos, realizados com coleta de sangue na ponta do dedo e o resultado fica pronto em até 30 minutos.
Embora o SUS mantenha vacinação gratuita para hepatite B em todas as faixas etárias e, desde maio, tenha ampliado a oferta da vacina contra hepatite A para usuários da PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), a cobertura vacinal ainda está aquém do ideal. Segundo dados oficiais, entre crianças de 12 meses, a taxa de imunização contra hepatite A é de 88,4%, e contra hepatite B, de 89,3%. Apenas a aplicação da primeira dose nas primeiras 24 horas de vida atingiu a meta de cobertura superior a 95%.
A ampliação da vacinação e o incentivo à testagem continuam sendo estratégias essenciais para frear a transmissão silenciosa das hepatites virais e evitar complicações a longo prazo. O Julho Amarelo reforça a importância da prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado para todas as formas da doença.
