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Falta de pré-natal adequado aumenta risco de anomalias congênitas em recém-nascidos, revela estudo da Fiocruz

Falta de pré-natal adequado aumenta risco de anomalias congênitas em recém-nascidos, revela estudo da Fiocruz
  • Publishedjulho 23, 2025

Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que a ausência de acompanhamento pré-natal no início da gestação está associada a um aumento de 47% no risco de nascimento com anomalias congênitas. A pesquisa, que analisou dados de mais de 26 milhões de nascidos vivos no Brasil entre 2012 e 2020, apontou ainda que fatores como idade materna, raça, escolaridade e condições socioeconômicas desempenham papel crucial nesse desfecho.

Anomalias evitáveis com políticas públicas

Os pesquisadores interligaram dados dos sistemas nacionais de nascimentos (Sinasc) e de mortalidade (SIM) e identificaram cerca de 144 mil casos de anomalias congênitas em todo o período. Segundo a autora do artigo, a pesquisadora Qeren Hapuk, vinculada ao Cidacs-Fiocruz Bahia, muitos desses casos poderiam ser prevenidos com o aprimoramento de políticas públicas voltadas à saúde materna.

Foram priorizadas anomalias como defeitos de membros, cardíacos, tubo neural, fenda oral, genitais, parede abdominal, microcefalia e síndrome de Down — todas consideradas prioritárias para vigilância no Brasil. Entre os achados, destaca-se a associação entre ausência de pré-natal e a maior ocorrência dessas condições, especialmente em gestantes com baixa escolaridade ou residentes em regiões vulneráveis.

Desigualdade regional e fatores de risco biológicos

O estudo também identificou que mães que se autodeclararam pretas tinham 16% mais chances de ter um filho com anomalias, enquanto gestantes com mais de 40 anos apresentaram risco 2,5 vezes maior. Já aquelas com menos de 20 anos tiveram risco 13% superior quando comparadas a mulheres entre 20 e 34 anos. A escolaridade mostrou impacto direto: mulheres com até 3 anos de estudo tiveram 8% mais risco do que aquelas com 12 anos ou mais de escolaridade.

Além disso, o levantamento expôs desigualdades regionais significativas. A região Sudeste lidera na notificação de casos, mas o Nordeste concentra mais ocorrências de defeitos do tubo neural, associados à baixa renda, alimentação inadequada e ausência de suplementação.

A epidemia do Zika vírus, entre 2015 e 2016, também influenciou os dados ao elevar os índices de microcefalia no Nordeste, onde a subnotificação já era um desafio.

Impacto e prevenção

As anomalias congênitas representam alterações estruturais ou funcionais que aumentam a mortalidade e morbidade infantil. Segundo a Fiocruz, a prevenção passa por medidas como educação em saúde, planejamento reprodutivo, suplementação nutricional adequada e, principalmente, o fortalecimento da atenção pré-natal.

“Esses dados mostram que a desigualdade socioeconômica, somada a fatores biológicos, impacta diretamente a saúde e o desenvolvimento do bebê”, conclui Qeren Hapuk. O estudo foi publicado no periódico científico BMC Pregnancy and Childbirth.

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Executivos da Saúde

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