Sorocaba registra um preocupante avanço nos casos de hepatite viral em 2025. De janeiro a julho, 200 novos diagnósticos foram confirmados, sendo 186 do tipo A, quatro do tipo B e dez do tipo C. O salto representa um aumento de 1.966% em relação aos apenas nove casos registrados em todo o ano de 2024, segundo dados divulgados pela Secretaria da Saúde (SES) do município.
O cenário acende um alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce, especialmente diante do fato de que as hepatites virais, frequentemente silenciosas, podem evoluir sem sintomas aparentes. Segundo o Ministério da Saúde, a ausência de sinais claros pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações hepáticas.
Testes rápidos estão disponíveis na rede municipal
Para ampliar o rastreamento da doença, a SES disponibiliza testes rápidos que utilizam apenas uma gota de sangue coletada da ponta do dedo. O resultado sai em até 20 minutos. Pacientes com resultado positivo são encaminhados para acompanhamento e início do tratamento no Centro Municipal de Atenção Especializada (Cmae), localizado na Vila Hortência.
Vacinação: proteção ainda abaixo da meta
Embora existam vacinas para os tipos A e B da doença, a cobertura vacinal ainda está aquém do ideal em Sorocaba. Dados da Secretaria apontam que, até abril, 70% das crianças haviam recebido a vacina contra a hepatite A — abaixo da meta de 95%. A vacinação contra a hepatite B imunizou 87,74% do público-alvo em 2024. Para 2025, a cobertura da vacina contra hepatite A atingiu 79%.
A imunização está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), com doses destinadas a diferentes faixas etárias: recém-nascidos recebem a vacina contra hepatite B, enquanto a de hepatite A é aplicada em crianças a partir de 15 meses e em grupos específicos com maior vulnerabilidade, como pessoas com HIV ou transplantados.
Entenda os tipos e formas de contágio
Das cinco formas de hepatite identificadas — A, B, C, D e E — apenas os tipos A e B têm vacinas disponíveis no Brasil. A hepatite A é transmitida por via fecal-oral, geralmente associada à ingestão de água ou alimentos contaminados. Já as hepatites B e C são transmitidas por contato com sangue contaminado ou por via sexual.
A SES recomenda medidas de prevenção que incluem boa higiene das mãos, uso de preservativos em todas as relações sexuais, consumo de água filtrada ou fervida, além do cuidado com materiais perfurocortantes em ambientes como consultórios, estúdios de tatuagem e salões de beleza. Não compartilhar objetos de uso pessoal, como escovas de dente, lâminas ou seringas, também é essencial.
Sinais que merecem atenção
Os principais sintomas das hepatites virais incluem fadiga, febre, mal-estar, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos). A presença de um ou mais desses sinais deve motivar a busca imediata por atendimento médico.
Campanha Julho Amarelo segue nas UBSs
Em alusão ao Julho Amarelo — mês de conscientização sobre as hepatites virais — a Prefeitura de Sorocaba realiza uma série de ações educativas e testes rápidos em diferentes Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Nas próximas semanas, UBSs como Nova Esperança, Nova Sorocaba e Paineiras contarão com atividades de orientação e exames gratuitos.
Municípios vizinhos, como Votorantim, também aderiram à campanha. Ações educativas estão sendo realizadas em UBSs, CAPS e durante eventos comunitários, como a Feira da Saúde. O objetivo é ampliar o acesso à informação, diagnóstico e tratamento precoce para conter o avanço da doença na região.
