Em parceria inédita, Hapvida inicia atendimento a pacientes do SUS e inaugura novo modelo de cooperação na saúde
Oito pacientes de Recife iniciaram nesta semana exames e cirurgias no Hospital Ariano Suassuna, da Hapvida, primeira operadora de planos de saúde a aderir ao programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Governo Federal para ampliar a assistência especializada e reduzir o tempo de espera no SUS.
Um marco histórico para o SUS
A medida é inédita: pela primeira vez, a estrutura da saúde suplementar é mobilizada em favor de
pacientes da rede pública. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanharam o início do atendimento em Recife (PE), classificando o momento como um passo histórico para a saúde brasileira.
O programa prevê a troca de dívidas de ressarcimento ao SUS por atendimentos. Atualmente, operadoras de planos de saúde devem valores à União quando pacientes são tratados na rede pública por procedimentos que deveriam ter sido custeados pelos planos. Em vez de pagar em dinheiro, essas empresas passam a oferecer consultas, exames e cirurgias diretamente a usuários do SUS.
Segundo o Ministério da Saúde, a conversão pode chegar a R$ 1,3 bilhão ao ano em atendimentos especializados, sem custo adicional para a rede pública.
Procedimentos realizados e primeiros pacientes
No Hospital Ariano Suassuna, oito pacientes foram os primeiros beneficiados. Entre eles, uma criança de oito anos e adultos de 23 a 67 anos. Os procedimentos incluíram:
- Duas cirurgias de artroplastia de quadril com prótese;
- Duas cirurgias de vesícula;
- Duas tomografias;
- Duas ressonâncias magnéticas.
A empregada doméstica Marilete Augusto Valério Santos, de 67 anos, aguardava há três meses por uma ressonância. “Quando disseram que seria amanhã, respondi: pode ser qualquer dia, qualquer hora!”, relatou, emocionada.
Como funciona a adesão dos planos
A participação dos planos de saúde no Agora Tem Especialistas é voluntária. As operadoras interessadas se inscrevem pela plataforma InvestSUS, informando os serviços que podem oferecer. O Ministério da Saúde cruza essa oferta com as demandas apresentadas por estados e municípios.
Se houver compatibilidade, a adesão é aprovada e os contratos são firmados. A partir daí, o rol de serviços especializados passa a integrar a rede SUS, regulado pelos gestores locais de saúde.
O valor mínimo de oferta mensal é de R$ 100 mil em serviços, podendo cair para R$ 50 mil em regiões com menor demanda.
As áreas prioritárias são: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. No total, o programa prevê mais de 1,2 mil cirurgias.
Fortalecimento do atendimento oncológico em Pernambuco
Durante o evento em Recife, o ministro Alexandre Padilha anunciou ainda R$ 15,3 milhões para a ampliação do tratamento oncológico no estado.
Os recursos contemplam:
- R$ 10,3 milhões para aquisição de um novo acelerador linear no Hospital Português de Beneficência, dobrando a capacidade de radioterapia do SUS na unidade;
- R$ 2,6 milhões para ampliar o número de pacientes atendidos;
- R$ 2,4 milhões anuais incorporados ao teto MAC, destinados ao custeio de procedimentos de média e alta complexidade.
Além disso, foi anunciada a integração entre o Hospital Português e o Hospital Barão de Lucena, permitindo que pacientes utilizem estruturas e profissionais de ambos, especialmente no tratamento radioterápico.
Significado da iniciativa
Com a entrada da Hapvida, maior operadora de planos de saúde da América Latina, o programa dá início a uma nova fase de cooperação entre saúde pública e suplementar no Brasil.
O objetivo é reduzir filas, ampliar o acesso a exames e cirurgias e oferecer um modelo sustentável de cooperação entre os dois sistemas, preservando o princípio da gratuidade no SUS.
Segundo o ministro Padilha, “estamos transformando dívidas nunca pagas em mais saúde para a população. Esse é um marco que vai entrar para a história do SUS”.