Brasil alcança marco histórico com produção 100% nacional de hemoderivados
O Brasil deu um passo decisivo para a soberania sanitária com a inauguração da nova fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), em Goiana (PE). Com investimento de R$ 1,9 bilhão, a planta permitirá a produção integral de medicamentos essenciais a partir do plasma humano coletado em doações voluntárias, garantindo independência e fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS).
Autossuficiência e soberania
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a Hemobrás representa não apenas um polo de biotecnologia, mas também um símbolo de soberania nacional. A maior fábrica de hemoderivados da América Latina passa a consolidar o compromisso do país em produzir, dentro do próprio território, insumos de alto custo que antes dependiam de importações.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou o caráter estratégico da unidade: saúde, SUS, segurança, soberania e “Brasil com S” foram apontados como pilares desse marco histórico, que coloca o país em posição de destaque mundial no campo da produção de medicamentos derivados do plasma.
O que será produzido
A fábrica terá capacidade para processar até 500 mil litros de plasma por ano e produzir seis medicamentos fundamentais para pacientes atendidos pelo SUS:
- Albumina (usada em pacientes críticos e queimados),
- Imunoglobulina (tratamentos de doenças autoimunes e infecções graves),
- Fator VIII e Fator IX (essenciais para hemofílicos),
- Complexo protrombínico e
- Fator de Von Willebrand.
Esses medicamentos beneficiam diretamente mais de 30 mil pessoas com coagulopatias, além de milhões de brasileiros que necessitam de terapias complexas em casos de cirurgias, internações em UTI e doenças raras.
Etapas e metas até 2027
A operação da Hemobrás será escalonada. Com a qualificação dos processos já iniciada, a expectativa é que em 2026 a fábrica esteja apta a produzir insumos farmacêuticos ativos (IFA), consolidando o ciclo completo de produção no país. Até 2027, o Brasil deve alcançar autossuficiência total na produção de hemoderivados, fornecendo exclusivamente ao SUS.
No ano passado, a empresa já havia entregue números recordes: 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de unidades internacionais de medicamentos recombinantes. Agora, com a nova estrutura, o país reduz drasticamente a dependência de importações, gera economia significativa e fortalece a capacidade de resposta do sistema público de saúde.
Um marco para a indústria e para os pacientes
Segundo a presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes, a nova planta vai além de um polo farmacêutico: “É uma fábrica de cidadania, pois transforma o plasma doado voluntariamente pela população em medicamentos vitais, devolvendo à sociedade saúde, qualidade de vida e independência tecnológica.”
Além de atender à demanda interna, o empreendimento coloca o Brasil em posição estratégica no Complexo Econômico-Industrial da Saúde, consolidando o Nordeste como protagonista na biotecnologia de ponta.