Dr. Kalil e Especialistas Revelam: 95% dos Pacientes Usam Hemodiálise Enquanto Alternativa Eficiente Permanece Desconhecida — Ministério Lança Plano Para Mudar Cenário
A história da diálise é uma das maiores vitórias da medicina moderna. Antes de sua criação, pacientes com falência renal não tinham perspectiva de sobrevivência. Hoje, além de salvar vidas, os avanços tecnológicos têm melhorado significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Mas há um problema que ninguém está falando: o Brasil está preso em um método único quando existem alternativas igualmente eficientes.
O Cenário Brasileiro: 95% em Um Único Método
Conforme revelado por especialistas do Hospital do Rim em entrevista ao programa Sinais Vitais com Dr. Kalil, a realidade é alarmante:
- 95% dos pacientes em diálise no Brasil utilizam hemodiálise
- Apenas 5% fazem uso da diálise peritoneal
Deixe isso claro: 95% em um único método. Isso não é diversificação. Isso é dependência.
Hemodiálise: O Método Conhecido
A hemodiálise é a modalidade mais conhecida no Brasil. Conforme explicado por Caio Bastos, especialista do Hospital do Rim:
“O mais famoso aqui no Brasil é a hemodiálise, em que o paciente vai para uma clínica e lá é feito um acesso do sangue do paciente até a máquina, para a máquina fazer a função que o rim mais faz, que é filtrar o sangue.”
O processo é simples: o paciente se dirige a uma clínica especializada, onde uma máquina acessa o sangue e realiza a filtragem que normalmente seria feita pelos rins.
Mas há um custo: dependência de infraestrutura. Dependência de deslocamento. Dependência de clínicas.
Diálise Peritoneal: O Método Ignorado
A outra modalidade, a diálise peritoneal, é menos comum no Brasil, mas igualmente eficiente. E aqui está o ponto crucial: o paciente realiza o tratamento em casa.
Conforme detalhou Caio Bastos: “Ele se conecta através da barriga a uma máquina que ele pode mesmo se ligar e a máquina infunde esse líquido na barriga e esse líquido também consegue limpar as impurezas do sangue.”
Deixe isso afundar. O paciente pode fazer o tratamento em casa. Não precisa se deslocar. Não precisa ficar preso a horários de clínica. Não precisa depender de terceiros.
Por Que Ninguém Sabe Disso?
A resposta é simples: desconhecimento. Conforme afirmado por Caio Bastos:
“Nos centros que estimulam ou que divulgam ao paciente que existem dois métodos que são tão bons quanto e que as diferenças são por preferência pessoal, a tendência é que mais ou menos metade e metade escolha diálise peritoneal ou hemodiálise.”
Metade e metade. Isso é o que acontece quando os pacientes sabem que existem opções.
Mas no Brasil? 95% em um método. Porque a maioria dos pacientes nunca ouviu falar da alternativa.
O Contraste Internacional: Outros Países Já Sabem
Enquanto o Brasil fica preso em 5%, outros países já descobriram a verdade:
- México: 30% a 50% de utilização da diálise peritoneal
- Colômbia: desenvolveu um plano de expansão que se mostrou bastante eficiente
Esses países entenderam algo que o Brasil ainda está aprendendo: diversificação de métodos significa melhor qualidade de vida para os pacientes.
O Problema Real: Saturação da Infraestrutura
Conforme alertado por Lúcio Requião, vice-diretor do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp:
“A rede de atenção às pessoas com doença renal, muito focada na hemodiálise, atingiu a saturação em sua capacidade de vagas.”
Saturação. Isso significa que não há mais espaço. Não há mais vagas. Não há mais capacidade.
E construir uma nova clínica de hemodiálise? Pode levar até três anos para entrar em funcionamento.
A Solução: Diálise Peritoneal em Casa
A diálise peritoneal oferece uma solução elegante: o paciente é treinado em 10 a 15 dias e passa a realizar o tratamento em casa. Inclusive durante viagens.
Conforme ressaltou Lúcio Requião:
“Num país como o Brasil, que é um país continental, você tem que se deslocar a um centro para poder fazer uma terapia. Na cidade de São Paulo não é tão impactante, mas no norte e nordeste, por exemplo, você acaba criando vazios de assistência que a diálise peritoneal pode cobrir.”
Vazios de assistência. Regiões inteiras sem acesso adequado a tratamento. A diálise peritoneal pode resolver isso.
O Plano Nacional: De 5% Para 20%
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou um plano nacional de expansão da diálise peritoneal com objetivo ambicioso:
- Atual: 5% de utilização
- Meta: 20% no médio e longo prazo
Quadruplicar a utilização. Isso é transformação.
O Que Isso Significa: Autonomia e Qualidade de Vida
A diálise peritoneal não é apenas um método alternativo. É uma mudança de paradigma:
- Autonomia: o paciente controla seu próprio tratamento
- Flexibilidade: pode viajar, trabalhar, viver normalmente
- Qualidade de vida: menos deslocamentos, menos dependência
- Eficiência: reduz a saturação das clínicas
Conforme afirmado pelos especialistas: “Os avanços científico e tecnológico têm tornado os tratamentos cada vez mais eficientes.”
Mas eficiência não importa se ninguém sabe que existe.
O Desafio: Educação e Informação
O maior desafio não é tecnológico. É informacional. Os pacientes precisam saber que existem opções. Os médicos precisam informar sobre alternativas. Os centros de saúde precisam oferecer escolha.
Conforme demonstrado internacionalmente: quando os pacientes sabem que existem dois métodos igualmente bons, metade escolhe cada um.
No Brasil, 95% escolhem um método porque é o único que conhecem.
