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Hospital privado no RJ já faz cirurgias oncológicas para pacientes do SUS pelo programa Agora Tem Especialistas

Hospital privado no RJ já faz cirurgias oncológicas para pacientes do SUS pelo programa Agora Tem Especialistas
  • Publishedjaneiro 6, 2026

O programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, deu mais um passo concreto na estratégia de reduzir filas e acelerar o acesso a procedimentos de alta complexidade no Sistema Único de Saúde. No estado do Rio de Janeiro, o Hospital e Maternidade São Francisco, em Niterói, se tornou o primeiro hospital privado fluminense a abrir estrutura e equipe para realizar cirurgias oncológicas em pacientes do SUS, com atendimento totalmente gratuito para a população.

A iniciativa já está em andamento: os atendimentos no hospital particular começaram ainda em dezembro, quando cinco mulheres passaram por avaliações e procedimentos pré-operatórios. E nesta segunda-feira, dia 5, elas foram encaminhadas para cirurgias ginecológicas voltadas à retirada ou ressecção de tumores — um passo essencial para evitar a evolução de lesões para câncer ou tratar casos já confirmados.


Procedimentos de alta complexidade e impacto direto nas filas

O hospital privado integra o programa garantindo ao SUS a realização de 204 procedimentos por ano, com previsão de cerca de 10 cirurgias por mês, totalizando mais de R$ 952 mil em atendimentos anuais. O foco está em áreas consideradas prioritárias pela política pública nacional: saúde da mulher e oncologia.

As cirurgias realizadas incluem procedimentos de alta complexidade e grande impacto clínico, como:

  • Histerectomia (retirada do útero)
  • Retirada de tumores e ressecções cirúrgicas
  • Linfadenectomia (remoção de linfonodos na pelve)
  • Peritonectomia (remoção de parte da membrana abdominal)
  • Traquelectomia (remoção do colo do útero e tecidos associados)

Trata-se de intervenções que, na prática, costumam ter grande demanda reprimida, tanto pela limitação de salas cirúrgicas quanto pela escassez de estruturas especializadas em oncologia ginecológica no SUS em muitos municípios.


Como o hospital privado entra no programa sem custo direto ao SUS

O modelo utilizado pelo programa é um dos pontos mais inovadores: em vez de repasse tradicional de verba pública direta ao hospital, a unidade privada recebe créditos financeiros, que podem ser usados para quitar tributos federais vencidos ou a vencer.

Ou seja: o hospital presta atendimento ao SUS e recebe uma contrapartida fiscal, criando uma alternativa para ampliar acesso sem gerar novos custos imediatos dentro da lógica orçamentária tradicional. O objetivo é mobilizar toda a capacidade instalada do país — pública e privada — para aumentar a oferta de consultas, exames e cirurgias.


Regulação continua com estados e municípios

Mesmo com atendimento em hospital particular, o fluxo de acesso do paciente permanece dentro do sistema público. Os encaminhamentos são feitos por meio de regulação estadual ou municipal, que define prioridade e agenda conforme critérios clínicos e disponibilidade.

No caso do Rio de Janeiro, foi a Secretaria Estadual de Saúde que encaminhou as primeiras pacientes, seguindo os protocolos da central de regulação do estado. Isso reforça um ponto estratégico: o SUS não terceiriza a decisão clínica, mas amplia o espaço físico e operacional para acelerar os atendimentos.


O que muda para o paciente: diagnóstico e tratamento com tempo como prioridade

Um dos maiores ganhos em ações como essa é reduzir o tempo entre diagnóstico e cirurgia — especialmente em tumores ginecológicos, onde atrasos podem resultar em progressão da doença, aumento do risco cirúrgico e necessidade de tratamentos mais agressivos.

O programa cria uma lógica de resposta rápida: pacientes que aguardariam meses por uma cirurgia conseguem ser encaminhadas para unidades com estrutura pronta, equipe completa e capacidade imediata de execução.


Um alerta importante: quando o SUS ligar, é real

Com a ampliação da rede privada para atendimentos públicos, o programa exige também um esforço de comunicação com a população. Muitas pessoas, ao receberem uma ligação para realizar procedimento em hospital particular, podem desconfiar de golpe ou trote.

Por isso, o Ministério da Saúde reforça que, caso o paciente seja chamado para atendimento em hospital privado pelo programa, trata-se de uma convocação real, vinculada à regulação oficial do SUS.


Expansão no RJ e adesão de grandes grupos

Além do Hospital e Maternidade São Francisco, a iniciativa também ganhou escala com a adesão de grandes redes hospitalares. No estado do Rio, a Rede D’Or também aderiu ao programa e iniciou participação com duas unidades privadas:

  • Glória D’Or, no Rio de Janeiro
  • Niterói D’Or, em Niterói

Essas unidades atuarão principalmente na área cardiológica, com previsão de cerca de 100 cirurgias por ano para pacientes do SUS, movimentando aproximadamente R$ 3,6 milhões em atendimentos.


O que esse movimento representa para o SUS

O avanço do programa representa uma mudança de paradigma: pela primeira vez, hospitais privados passam a ser integrados de forma sistemática ao esforço nacional de reduzir filas cirúrgicas e ampliar acesso a procedimentos especializados, especialmente em oncologia e cardiologia.

Na prática, o país começa a operar um modelo mais híbrido, onde a prioridade deixa de ser exclusivamente “onde” o procedimento é feito, e passa a ser “quando” ele é feito — com foco em tempo, desfecho clínico e redução da espera.

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Executivos da Saúde

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