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R$ 100 Milhões Para Conectar o Brasil: Governo Investe em Telessaúde Enquanto Milhões de Brasileiros Ainda Esperam por Internet nas UBS

R$ 100 Milhões Para Conectar o Brasil: Governo Investe em Telessaúde Enquanto Milhões de Brasileiros Ainda Esperam por Internet nas UBS
  • Publishedmaio 12, 2026

Estratégia Ambiciosa Promete Levar Conectividade a 3,8 Mil Unidades Básicas de Saúde — Mas Será Rápido o Suficiente?

O Brasil está finalmente acordando para uma realidade que deveria ter sido resolvida há anos: milhares de Unidades Básicas de Saúde (UBS) ainda não têm internet adequada. Agora, o governo anunciou um plano ambicioso para mudar isso — investindo até R$ 100 milhões para conectar até 3,8 mil UBS em 26 estados e no Distrito Federal.

Mas enquanto celebram o anúncio, uma pergunta incômoda permanece: por que levou tanto tempo?

O Cenário: Milhares de UBS Desconectadas em 2026

Em 2023, o Brasil ainda tinha 5.184 UBS sem conectividade adequada. Isso significa que em 2023, profissionais de saúde em milhares de unidades estavam tentando oferecer cuidado de qualidade sem acesso confiável à internet. Sem prontuário eletrônico. Sem telessaúde. Sem acesso a dados clínicos integrados.

Agora, em 2026, o governo anuncia que vai conectar 3,8 mil dessas unidades. Isso deixa uma pergunta: e as outras 1.384 UBS que ainda estarão desconectadas?

O Investimento: R$ 100 Milhões Para Transformar a Saúde Digital

O novo edital prevê investimento de até R$ 100 milhões para garantir conectividade a cerca de 2,7 mil UBS através dos editais Fust Direto 3 e Acessa Crédito Telecom. A iniciativa se soma a um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Comunicações, que contempla 1.191 UBS em áreas isoladas por meio de tecnologia satelital.

Dos 1.191 UBS via satélite:

  • 788 já foram conectadas
  • 403 estão em processo de conexão

Isso significa que enquanto alguns celebram, centenas de unidades ainda aguardam conexão.

Os Números Que Revelam o Impacto Real

Conforme afirmado pelo Ministério da Saúde, os números já falam por si:

  • 6 milhões de atendimentos por Telessaúde já realizados no Brasil
  • 85% das equipes de Saúde da Família utilizam prontuário eletrônico
  • Redução de até 30% nas filas para atendimento especializado onde a estratégia está funcionando
  • 14,9 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2025 — 42% a mais do que em 2022

Esses números são impressionantes. Mas representam apenas o que foi possível com conectividade limitada. Imagine o que seria possível se todas as UBS tivessem internet confiável.

O Que Muda na Prática: Telessaúde, Teleconsultas e Telediagnósticos

Com internet estável e redes internas de Wi-Fi nas UBS, torna-se possível expandir significativamente a oferta de:

  • Telessaúde: consultas remotas com especialistas
  • Teleconsultas: atendimento especializado sem sair da unidade básica
  • Telediagnósticos: diagnósticos em tempo real com tecnologia conectada
  • Prontuário eletrônico integrado: acesso a dados clínicos em toda a rede do SUS
  • Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS): integração segura de informações clínicas

A RNDS já reúne 4,6 bilhões de registros e se consolida como infraestrutura estratégica para integração de dados em todo o país.

CPF Como Identificador: Higienização de Dados em Escala

Um aspecto crítico dessa transformação é a consolidação do CPF como identificador prioritário do cidadão na saúde pública. Até abril de 2026, o sistema alcançou 233,2 milhões de cadastros ativos e reduziu a diferença entre a base do CadSUS e a da Receita Federal para apenas 1,84%.

Isso significa:

  • Identificação correta dos usuários
  • Maior segurança cadastral
  • Redução de inconsistências
  • Continuidade do cuidado em toda a rede do SUS

A Infraestrutura: Fibra Óptica, Satélite e Wi-Fi

O edital Fust Direto 3 foca na implementação de infraestrutura de alta capacidade, com possibilidade de conexão por:

  • Fibra óptica: para áreas urbanas e periurbanas
  • Satélite: para localidades de difícil acesso geográfico
  • Redes internas de Wi-Fi: em todas as unidades contempladas

Essa combinação cria as condições para ampliar o acesso à Saúde Digital em escala nacional, especialmente nos territórios onde a conectividade ainda é um obstáculo para o cuidado.

O Novo PAC Saúde: Equipamentos Conectados em Escala

A transformação também é ampliada pelas entregas do Novo PAC Saúde, com a distribuição de cerca de 3 mil equipamentos de telessaúde em todo o território nacional. Esses equipamentos, quando conectados à internet, permitem:

  • Diagnósticos mais precisos
  • Atendimento especializado remoto
  • Monitoramento de pacientes crônicos
  • Redução de deslocamentos desnecessários

Populações Vulneráveis: Quem Mais Precisa

A iniciativa tem impacto particular para populações historicamente marginalizadas:

  • Populações rurais: acesso a especialistas sem necessidade de deslocamento
  • Populações indígenas: cuidado culturalmente apropriado com suporte remoto
  • Populações ribeirinhas: conectividade em áreas de difícil acesso
  • Periferias urbanas: redução de filas e acesso a diagnósticos

Para essas populações, a conectividade não é luxo — é questão de vida ou morte.

O Desafio: Implementação Rápida e Eficiente

Enquanto o anúncio é positivo, um desafio permanece: a implementação. Os editais foram lançados em maio de 2026. A previsão é que as 403 UBS via satélite sejam conectadas “nos próximos meses”. Mas “próximos meses” pode significar 6 meses, 12 meses ou mais.

Enquanto isso, pacientes continuam esperando em filas. Profissionais continuam trabalhando com sistemas desintegrados. Diagnósticos continuam sendo atrasados.

O Que Você Precisa Saber

  1. Conectividade é infraestrutura de saúde: não é luxo, é necessidade
  2. 3,8 mil UBS ainda precisam de conexão: isso representa milhões de brasileiros
  3. Telessaúde reduz filas em até 30%: quando implementada corretamente
  4. A RNDS já reúne 4,6 bilhões de registros: mas só funciona com conectividade
  5. Populações vulneráveis ganham mais: com acesso a especialistas remotos

A transformação digital da saúde brasileira está em andamento. Mas a velocidade dessa transformação determinará quantas vidas serão salvas — e quantas continuarão esperando.

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Executivos da Saúde

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