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Dispositivo da Unicamp permite testar fármacos usados em tratamentos contra o câncer

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Um dos principais desafios enfrentados pelos médicos em tratamentos contra o câncer é identificar os fármacos, as suas concentrações e as suas combinações mais eficazes para eliminar as células cancerígenas do organismo de um paciente. De um modo geral, os médicos seguem um protocolo de escolhas dos quimioterápicos a partir dos resultados das biópsias, receitando, em cada caso, os medicamentos que vão combater as células dos tumores malignos.

Contudo, são comuns os casos de pacientes cujas células oferecem resistência à ação dos quimioterápicos. E essa barreira natural, difícil de ser identificada nas análises das células, torna ineficazes muitos dos tratamentos. Por isso, em geral os testes de eficiência são realizados submetendo os pacientes aos quimioterápicos escolhidos, ação que pode se prolongar durante três ou quatro meses. Caso os testes sejam ineficazes, novas experiências com outros fármacos são realizadas nos meses seguintes. Esse protocolo é repetido até ser encontrado o medicamento mais eficaz. Infelizmente, nem sempre há tempo para alcançar a cura desejada.

Por essas razões, a existência de métodos mais rápidos e precisos para identificar quimioterápicos que eliminem, com eficiência, células cancerígenas é um desejo comum da comunidade médica. Foi com esse objetivo que uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que reuniu especialistas do Instituto de Biologia (IB) e da Faculdade de Engenharia Química (FEQ), desenvolveu um dispositivo para criar uma estratégia de triagem de fármacos e descobrir, de antemão, se um ou mais quimioterápicos terão ação eficaz ou não na eliminação de células cancerígenas.

Um benefício que este dispositivo proporciona é o de acelerar o processo de escolha dos fármacos e ainda apontar as combinações mais eficientes e que possibilitam menores dosagens, oferecendo mais opções aos médicos para indicar os tratamentos com maior chance de sucesso na eliminação de tumores malignos. Essa triagem prévia dos fármacos permite identificar com mais agilidade se haverá ou não resistência das células cancerígenas à ação dos quimioterápicos.

Dispositivo foi desenvolvido com o uso de microtecnologia

Para desenvolver o dispositivo, cuja pesquisa contou com a assessoria da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) para a proteção de sua propriedade intelectual, os pesquisadores usaram a microfluídica, tecnologia que explora o escoamento em pequenos canais e câmaras e que permite aplicações em áreas como nanotecnologia, biologia celular, entre outras.

Para aplicações na área biológica, tais dispositivos, denominados microchips, são normalmente confeccionados com materiais compatíveis com as células, como polímeros ou silicone, e possuem canais e microrreservatórios interligados onde são alojadas células vivas. Modelos de microchips mais complexos também estão sendo desenvolvidos para replicar as funções dos órgãos humanos em um dispositivo em escala miniaturizada, do tamanho de uma lâmina para microscópio. O objetivo dessa técnica é dispor de modelos em miniatura dos órgãos humanos ou de sistemas de órgãos. Por isso, esses microchips são denominados Organ-on-a-Chip ou sistemas microfisiológicos.

“Eles permitem reproduzir modelos das doenças e podem ser utilizados para compreender ações de doenças, identificar fármacos, dentre inúmeras outras aplicações”, explica a professora da FEQ, Lucimara Gaziola de La Torre, que participou do desenvolvimento do dispositivo. Segundo ela, “os microchips ainda estão em evolução, mas essa tecnologia é, hoje em dia, o que mais se aproxima da realidade humana para simular estudos e facilitar pesquisas de novos medicamentos. Os resultados dessas simulações estão sendo projetados e investigados para que sejam confiáveis, a ponto de dispensarem no futuro os testes de fármacos em animais, acelerando os resultados dos ensaios pré-clínicos, alcançando resultados seguros em menos tempo e com mais precisão”, acrescenta a pesquisadora.

Como é feita a triagem dos fármacos com o chip

La Torre explica que, para as estratégias de triagem dos fármacos, as células cancerígenas podem ser introduzidas nas diferentes microcâmaras presentes no microchip. Em seguida, são injetados nos microchips o meio de cultivo e o quimioterápico. O microchip foi projetado para ser um sistema de alta performance, gerando grande quantidade de resultados em um único experimento, já com as triplicatas. Segundo a pesquisadora, essa é a grande vantagem do emprego de microfluídica em técnicas convencionais de análise, como ela detalha:

“O microdispositivo permite testar concentrações diferentes de fármacos em cada uma dessas microcâmaras, esses ‘pocinhos’, que compõem o microchip. Em seguida, com a aplicação de um gradiente difusivo de concentração, analisamos quais células cancerígenas foram mais sensíveis à ação do fármaco, e em quais concentrações. Dessa forma, conseguimos descobrir não apenas se um quimioterápico é capaz de eliminar uma célula coletada da biópsia, mas também identificamos a concentração mais eficiente”, explica La Torre.

Além dessa possibilidade, a pesquisadora conta que a equipe também já fez testes simultâneos com mais de um fármaco para avaliar a eficácia de sua ação combinada. “Nessas simulações, é preciso verificar se eles terão efeitos sinérgicos ou antagônicos e quais são as concentrações adequadas. Nesses testes cruzados, podemos identificar quais concentrações devem ser evitadas, para um não anular a ação do outro, e quais são as melhores para potencializar o efeito sinérgico dos quimioterápicos, além de outros parâmetros importantes para a área farmacêutica, aumentando assim a chance de sucesso do tratamento”, explica La Torre.

Selagem reversível é um diferencial da tecnologia da Unicamp

Uma característica do dispositivo desenvolvido pelos pesquisadores é a sua selagem reversível, ou seja, o microchip pode ser aberto posteriormente para a análise dos materiais. O mais comum nas pesquisas é que os microchips sejam lacrados, impossibilitando o acesso ao material de pesquisa após os testes.

Segundo La Torre, o uso de um microchip não selado atende a um desejo comum dos biólogos, a quem interessa analisar as células após serem submetidas aos tratamentos com os fármacos. “Por isso optamos por desenvolver um dispositivo que permitisse reverter a selagem após os testes, o que pode proporcionar informações valiosas aos pesquisadores”, conclui a pesquisadora.

Créditos: https://medicinasa.com.br/dispositivo-farmacos/

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Cresce de forma preocupante o uso de medicamentos controlados no Brasil, alerta estudo nacional

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Consumo sem prescrição médica é impulsionado por automedicação, mercado paralelo e banalização de substâncias perigosas; mulheres e adolescentes são os mais afetados.

O Brasil está enfrentando um preocupante aumento no consumo de medicamentos controlados, muitos deles adquiridos sem receita médica. O alerta vem de um levantamento nacional conduzido pela Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Justiça, que aponta um crescimento expressivo no uso de analgésicos opioides, tranquilizantes e estimulantes — especialmente entre mulheres e adolescentes.

Segundo o estudo, o uso de benzodiazepínicos, medicamentos tranquilizantes geralmente indicados para tratar ansiedade e insônia, atingiu 14% da população brasileira em 2023, com ou sem prescrição médica. Em 2012, o índice era de 9,8%. Já o consumo de analgésicos opioides, como morfina e fentanil, utilizados para tratar dores intensas, teve um aumento superior a oito vezes no mesmo período.

A popularização do uso recreativo ou desregulado dessas substâncias está ligada a uma série de fatores: pressão por desempenho, facilidade de acesso via internet e redes paralelas de distribuição, e a crença equivocada de que esses medicamentos são inofensivos.

Para o psiquiatra Luiz Gustavo Zoldan, do Hospital Israelita Albert Einstein, o uso correto dessas drogas tem papel essencial na saúde. “São medicamentos extremamente relevantes quando bem indicados. Opioides aliviam dores agudas, tranquilizantes auxiliam no controle da ansiedade, e os estimulantes tratam quadros de TDAH”, explica. No entanto, ele alerta: o uso contínuo e sem acompanhamento pode gerar dependência, convulsões e até levar à morte.

Um caso emblemático é o da modelo Maria Luiza Vilhena, que enfrentou uma dependência severa por seis anos. “Minha psiquiatra disse que não sabe como eu sobrevivi às doses. A abstinência foi um verdadeiro inferno”, conta. Após um ano de reabilitação, ela conseguiu retomar sua vida, mas alerta para os riscos da automedicação.

O impacto da banalização dessas substâncias já começa a ser considerado um problema de saúde pública, e o governo federal está atento à ameaça de que o Brasil repita a epidemia de opioides enfrentada pelos Estados Unidos. Lá, mais de 100 mil pessoas morreram por overdose em um único ano.

A secretária nacional de Política sobre Drogas, Marta Machado, reforça a importância da prevenção e do controle rigoroso: “O governo está empenhado em evitar uma tragédia como a que ocorreu no hemisfério norte. É fundamental fortalecer a regulação sobre o mercado lícito, controlar prescrições e ampliar campanhas de conscientização para a população”.

Os dados preliminares também revelam que quase 5% dos adolescentes brasileiros já usaram calmantes sem receita e que uma em cada cinco mulheres já fez uso de tranquilizantes, com ou sem prescrição médica. Para especialistas, os números reforçam a urgência de políticas públicas que equilibrem o acesso ao tratamento com o combate ao uso indevido.

O relatório completo será divulgado nos próximos meses, e deve servir de base para uma nova estratégia nacional de regulação, prevenção e educação sobre o uso de medicamentos controlados no país.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/04/01/uso-de-medicamentos-controlados-comprados-muitas-vezes-sem-prescricao-medica-tem-crescimento-alarmante-no-brasil.ghtml

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USP lidera avanço científico nacional com coordenação de 26 novos INCTs

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A Universidade de São Paulo reafirma sua posição de protagonismo na ciência brasileira ao liderar mais de 21% dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia selecionados na nova chamada do CNPq.

A Universidade de São Paulo (USP) foi selecionada para coordenar 26 dos 121 novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) aprovados na chamada mais recente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O resultado preliminar foi divulgado no dia 20 de março e representa um marco na história do programa, com um volume recorde de recursos e número de propostas submetidas.

Somente no estado de São Paulo, 37 projetos foram aprovados — o que coloca a USP à frente, com mais de 70% da representatividade paulista e 21% de todos os institutos selecionados nacionalmente. A iniciativa, que contará com investimento total de R$ 1,45 bilhão, visa fomentar pesquisas interdisciplinares de impacto e criar redes cooperativas entre universidades e centros de excelência no Brasil e no exterior.

Segundo o presidente do CNPq, Ricardo Galvão, professor do Instituto de Física da USP, essa é “uma das chamadas mais robustas da história do programa”, com investimentos cinco vezes maiores que na edição anterior e aumento do teto de financiamento para até R$ 15 milhões por proposta.

“A participação da USP reflete a qualidade da nossa pesquisa e seu comprometimento com temas estratégicos para o enfrentamento de problemas sociais”, destacou o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, ressaltando ainda o alinhamento com a política institucional da universidade, voltada à colaboração entre centros interdisciplinares.

Temas estratégicos: IA, saúde e sustentabilidade

Entre os novos institutos coordenados pela USP, destacam-se projetos voltados à inteligência artificial, saúde pública e prevenção de catástrofes ambientais. Um dos exemplos é o INCT em Inteligência Artificial para o Bem Social, liderado por André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC). A iniciativa buscará soluções baseadas em IA para desafios relacionados à inclusão, saúde, cidadania e sustentabilidade, reunindo 80 pesquisadores de todo o Brasil — 40% deles mulheres — e unidades da USP como a Poli, EESC, MAC, EACH e HCFMUSP.

Outro destaque é o INCT “Prev-AVC”, coordenado pela professora Suely Kazue Nagahashi Marie, da Faculdade de Medicina da USP. O projeto tem como objetivo rastrear fatores de risco e implementar protocolos de tratamento para hipertensão, diabetes e dislipidemia, a fim de reduzir a mortalidade por AVC. Também buscará biomarcadores em vesículas extracelulares, com colaboração de instituições internacionais dos Estados Unidos, Austrália e Dinamarca.

Avanço nacional e internacional

Com a nova chamada, o Brasil passará a contar com 221 INCTs, ampliando em 10% a rede atual. A trajetória do programa, iniciado em 2008, tem promovido avanços científicos expressivos, com mais de 1.800 parcerias nacionais e mais de 1.300 colaborações internacionais — além de cooperação com mais de 500 empresas brasileiras e 139 estrangeiras.

Para 2025, os recursos foram aportados por diversos órgãos e fundações, incluindo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a Fapesp, Capes, Faperj, Fapemig e outras agências estaduais.

Além de gerar conhecimento de ponta, os INCTs têm papel estratégico na formação de recursos humanos altamente qualificados e na formulação de soluções aplicáveis para problemas sociais, ambientais e tecnológicos do Brasil.

A contratação dos projetos está prevista para ocorrer até maio, após a análise dos recursos e divulgação do resultado final da chamada.

Conteúdo USP: https://jornal.usp.br/comunicados/usp-vai-coordenar-26-novos-institutos-nacionais-de-ciencia-e-tecnologia-incts/

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Rede Américas: Dasa e Amil oficializam joint venture e miram liderança hospitalar com rede imparcial e eficiente

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Nova empresa nasce com 25 hospitais, 4.500 leitos e receita de R$ 10,6 bilhões; movimento já provoca reações de operadoras concorrentes.

A união dos ativos hospitalares da Dasa e da Amil foi oficialmente concluída com o lançamento da nova empresa Ímpar Serviços Hospitalares, que adota a marca Rede Américas para consolidar sua presença no mercado de saúde suplementar. A joint venture reúne 25 hospitais em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com cerca de 4.500 leitos e R$ 10,6 bilhões em receita líquida anual, posicionando-se como uma das maiores redes independentes do Brasil.

A operação, anunciada em junho de 2024, já demonstra seus efeitos no mercado. Segundo o CEO da Dasa e agora também da Rede Américas, Lício Cintra, operadoras de saúde começaram a lançar planos que incluem exclusivamente os hospitais do novo grupo — deixando de lado concorrentes como a Rede D’Or. “Temos visto uma resposta imediata das fontes pagadoras. O mercado entendeu que entregamos uma solução de capilaridade e eficiência sem o conflito de interesses de uma rede verticalizada”, afirma Cintra.

Imparcialidade como estratégia

Um dos pilares estratégicos da Rede Américas é sua imparcialidade frente às operadoras de planos de saúde. O grupo se apresenta como uma rede hospitalar não verticalizada, aberta à parceria com todas as operadoras, o que, segundo Cintra, oferece liberdade e confiança ao setor. “Queremos ser uma rede hospitalar que atenda a todas, com isonomia e eficiência, sem favorecimentos”, destaca o executivo.

A governança também foi fortalecida: o conselho de administração será composto por nove membros, com três indicados por cada sócio (Amil e Dasa) e três independentes, como Flavia Buarque Almeida, Antonio Quintella e Pedro Wongtschowski. A presidência do conselho será de Dulce Pugliese de Godoy Bueno, fundadora da Amil.

Resultados e sinergias

Com a união, o grupo já colhe os primeiros frutos. O Ebitda proforma de 2024 está estimado em R$ 998 milhões, 28% acima do ano anterior, refletindo avanços em eficiência operacional. A alavancagem, inicialmente projetada em 5,0x, caiu para 3,15x, com reestruturações na dívida e aporte de R$ 350 milhões por parte da Amil.

Entre os hospitais de referência do grupo estão o Nove de Julho e o Leforte Morumbi (SP), Hospital São Lucas e Americas Medical City (RJ), e o Samaritano Higienópolis, da antiga rede Amil.

A empresa também avalia a incorporação futura de ativos como o Hospital São Domingos (MA), Hospital da Bahia e a AMO, especializada em oncologia, com foco na expansão controlada para o Nordeste e reforço da atuação oncológica.

Pressão sobre glosas e prazos

Cintra afirma que um dos principais focos da nova gestão será a negociação com operadoras para melhorar prazos de pagamento e reduzir glosas indevidas, desafios históricos enfrentados pelos hospitais. “Ou temos uma relação sustentável com prazos aceitáveis e índices de glosa corretos, ou não temos interesse em continuar atendendo”, afirmou em tom firme.

Desafios superados

A criação da joint venture também representa uma virada estratégica para a Dasa, que até meados de 2023 enfrentava pressão intensa sobre sua alavancagem financeira. “Havia risco de quebra de covenant e vencimento antecipado das dívidas. Passados pouco mais de um ano, tiramos a ‘faca do pescoço’ e ganhamos fôlego para operar com foco”, avaliou Cintra.

Com o fechamento da operação, a Dasa deixa de consolidar a Ímpar em seus balanços e passa a contabilizá-la pelo método de equivalência patrimonial. Rafael Lucchesi, atual head de diagnósticos, assume como novo CEO da Dasa a partir de julho, enquanto Cintra permanece à frente da Rede Américas.

Perspectiva

A joint venture entre Dasa e Amil redefine o mapa da saúde suplementar no Brasil, ao criar uma alternativa robusta à liderança da Rede D’Or. O modelo não verticalizado, a governança independente e a busca por eficiência e parcerias sustentáveis marcam o início de uma nova fase para o setor hospitalar privado — e os movimentos do mercado já indicam que a Rede Américas chegou para competir em alto nível.

Fonte: https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/dasa-e-amil-operadoras-ja-reagem-a-operacao-conjunta-de-hospitais-diz-ceo/?utm_content=CTA&utm_medium=organic&utm_source=linkedin

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