Genética não é destino: como os hábitos de vida podem reduzir o risco de câncer

Embora a predisposição genética exerça um papel importante no desenvolvimento do câncer, estudos mostram que os hábitos de vida têm um impacto ainda mais decisivo — e modificável — na prevenção da doença. Especialistas alertam que, mesmo para pessoas com histórico familiar, o câncer não é inevitável. A boa notícia: mudanças no estilo de vida podem fazer toda a diferença.

Um estudo recente, liderado por pesquisadores da Sociedade Americana do Câncer, estimou que cerca de 40% dos casos de câncer em adultos com 30 anos ou mais nos EUA foram causados por fatores relacionados ao estilo de vida. Isso reforça a ideia de que é possível agir preventivamente, especialmente quando se conhece o histórico familiar.

Genética: quando vale investigar

Ter familiares que desenvolveram câncer, especialmente antes dos 50 anos, pode indicar uma predisposição genética. Nesse caso, os médicos recomendam reunir informações detalhadas sobre pais, irmãos, avós, tios e sobrinhos — incluindo o tipo de câncer e a idade no momento do diagnóstico.

Com base nesse histórico, o médico pode indicar exames genéticos para detectar mutações hereditárias, como nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer de mama, ou para a síndrome de Lynch, que eleva o risco de câncer de cólon e outros tipos.

Segundo Syed Ahmad, cirurgião oncológico e diretor do Centro de Câncer da Universidade de Cincinnati, muitas pessoas evitam procurar um especialista por medo do diagnóstico, mas ele ressalta: “Ter uma mutação genética não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá a doença.”

A importância da prevenção e do rastreamento precoce

Caso seja identificada uma predisposição genética, os pacientes podem ser orientados a iniciar exames de rastreamento em idade mais precoce e com maior frequência. Em alguns casos, medidas preventivas como a mastectomia profilática podem ser consideradas, com base na avaliação médica.

Para a oncologista Judy Garber, do Instituto Dana-Farber, a vigilância ativa é fundamental. “Você não vai querer perder a chance de identificar algo cedo que possa ser tratável”, afirma.

Estilo de vida: o fator decisivo

Apesar de todo o foco na genética, apenas 10% dos casos de câncer são, de fato, atribuídos exclusivamente a fatores hereditários. Isso significa que a maioria dos casos pode ser influenciada — e muitas vezes evitada — com ações práticas, como:

Conclusão

O câncer, embora muitas vezes assustador, não é um destino fixo. A genética pode lançar as cartas, mas são os hábitos de vida que moldam o jogo. Buscar o conhecimento do próprio histórico familiar, realizar exames preventivos e adotar um estilo de vida saudável são as melhores ferramentas para reduzir riscos e promover a longevidade com qualidade.

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