Vício em Apostas Online e Impacto no SUS Pautam Debates do HIS 2026
Ludopatia Reconhecida pela CID-11 (Código 6C50) Gera Custo Social Anual de R$ 38,8 Bilhões — SUS Registra 10,5 Mil Atendimentos por Compulsão em Apostas com Alta de 104% Entre 2018 e 2025; Painel no HIS 2026 Reúne Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e Discute Modelos Coordenados de Enfrentamento
O avanço das apostas virtuais, conhecidas como “bets”, se consolidou como problema de saúde pública no Brasil. A ludopatia, formalmente reconhecida sob o código 6C50 na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), traz desdobramentos assistenciais e financeiros documentados em dossiê específico sobre o tema.
O documento “A Saúde dos Brasileiros em Jogo”, produzido pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) em parceria com a Umane, estima que o setor de apostas gere um custo social anual de R$ 38,8 bilhões ao país. Desse total, R$ 30,6 bilhões correspondem a impactos diretos e indiretos na saúde, englobando custos com tratamentos médicos, perda de qualidade de vida decorrente da depressão e impactos associados a mortes por suicídio.
Pressão Sobre o SUS: Dados Epidemiológicos
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou mais de 10,5 mil atendimentos voltados ao vício e à compulsão por apostas entre 2018 e maio de 2025. Esse volume representa alta de 104% no período, com aceleração significativa nos últimos anos diretamente associada à expansão do mercado de apostas online no país.
Debate no HIS 2026: Painel Sobre Apostas e Saúde
O Healthcare Innovation Show (HIS) 2026, maior encontro de tecnologia e inovação em saúde da América Latina, incluirá em sua programação debate específico sobre o enfrentamento da ludopatia como desafio assistencial. O evento é organizado pela Informa Markets, empresa também responsável pela Feira Hospitalar, e ocorrerá nos dias 16 e 17 de setembro, no São Paulo Expo.
O painel “All-in na saúde e os impactos das Bets pressionando por soluções coordenadas” está agendado para 17 de setembro, às 16h, no Palco Cuidado Digital e Humanizado.
A apresentação contará com a participação de Claudia Ruggiero Longhi, Diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, e abordará quatro eixos principais:
- Modelos de coordenação entre o setor público e a saúde suplementar
- Aplicação de tributos para financiar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
- Estratégias de prevenção ao vício em apostas
- Regulação da publicidade do setor de jogos
Posicionamento Institucional: Informa Markets
A gerente de Produto e Conteúdo para Saúde da Informa Markets, Fernanda Fortuna, destacou a relevância do tema no contexto do evento:
“A inovação no setor exige capacidade de resposta rápida aos novos determinantes sociais e comportamentais. O vício em apostas deixou de ser uma pauta puramente econômica ou regulatória para se tornar um desafio assistencial e operacional para gestores públicos e privados.”
A diretora do Portfólio de Saúde da Informa Markets, Juliana Vicente, complementou:
“O painel sobre as apostas virtuais se conecta à proposta do evento de antecipar e debater as transformações humanas, clínicas e regulatórias mais urgentes no ecossistema de saúde. A programação foi desenhada para colocar no centro das discussões os temas de maior impacto que hoje desafiam médicos, gestores e a indústria.”
Programação Ampliada: Outros Temas do HIS 2026
Juliana Vicente destacou_additionalmente temas que compõem a programação do evento:
- Impacto das canetas emagrecedoras e o novo perfil dos pacientes
- Atualização da NR-1 e reflexos na saúde mental corporativa
- Desafios do envelhecimento populacional associado à neurodivergência
- Governança para o uso de inteligência artificial na medicina
O tratamento de transtornos comportamentais como a ludopatia exige integração de telessaúde, inteligência de dados, interoperabilidade e novos modelos de governança assistencial, pilares que norteiam as discussões dos demais palcos e frentes de conteúdo do HIS 2026.
Implicações Para a Prática Clínica
Para profissionais de saúde e gestores, o tema apresenta implicações diretas:
- Reconhecimento diagnóstico: familiaridade com o código 6C50 da CID-11 para identificação e codificação adequada de casos de transtorno do jogo
- Triagem ativa: investigação de hábitos de apostas em pacientes com quadros de ansiedade, depressão ou ideação suicida
- Integração com a RAPS: conhecimento dos fluxos de encaminhamento para Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS)
- Abordagem multidisciplinar: articulação entre saúde mental, assistência social e apoio financeiro aos pacientes afetados
- Estratégias preventivas: educação em saúde sobre riscos associados ao uso problemático de plataformas de apostas
- Telemedicina como ferramenta: utilização de telessaúde para ampliação do acesso ao cuidado em saúde mental relacionado a transtornos comportamentais
Dados Operacionais do Evento
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Evento | HIS 2026 – Healthcare Innovation Show |
| Data | 16 e 17 de setembro de 2026 |
| Horário | 9h às 18h |
| Local | São Paulo Expo |
| Endereço | Rodovia dos Imigrantes, Vila Água Funda, São Paulo (SP) |
| Painel de destaque | “All-in na saúde e os impactos das Bets pressionando por soluções coordenadas” |
| Data do painel | 17 de setembro, 16h |
| Palco | Cuidado Digital e Humanizado |
| Palestrante confirmada | Claudia Ruggiero Longhi (Diretora da Divisão de Saúde Mental, SMS-SP) |
| Organização | Informa Markets Latam |
Conclusão
A inclusão do debate sobre vício em apostas no HIS 2026 reflete o reconhecimento institucional da ludopatia como desafio assistencial e operacional para o sistema de saúde brasileiro. O custo social anual estimado em R$ 38,8 bilhões, com R$ 30,6 bilhões em impactos diretos e indiretos na saúde, associado ao crescimento de 104% nos atendimentos do SUS por compulsão em apostas entre 2018 e 2025, evidencia a dimensão epidemiológica do problema. A articulação entre Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, IEPS, Umane e a rede de atenção psicossocial aponta caminhos para modelos coordenados de prevenção, tratamento e regulação, com implicações diretas para a prática clínica na atenção primária e em saúde mental.