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A Emergência Climática e seus Impactos Sociais: O Fenômeno da Policrise

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Por Leandro Giatti

A crise climática tem impactado cada vez mais o cotidiano das populações ao redor do mundo, especialmente as comunidades mais vulneráveis. O aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e secas prolongadas, tem agravado problemáticas sociais preexistentes, desencadeando o que especialistas denominam policrise.

O Conceito de Policrise

O termo policrise foi cunhado pelo antropólogo francês Edgar Morin nos anos 1990 e tem sido amplamente estudado em diferentes contextos, incluindo a pandemia de Covid-19. Ele descreve a interconexão de múltiplas crises de diferentes naturezas que ocorrem simultaneamente, retroalimentando-se e gerando consequências imprevisíveis.

Leandro Giatti, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP, ressalta que as comunidades urbanas vulneráveis são as mais afetadas por esse fenômeno. “Essas periferias urbanas já enfrentam problemas estruturais como violência, desemprego, exclusão social e insegurança alimentar. Quando somamos os impactos da emergência climática, como ondas de calor intensas ou enchentes devastadoras, esses problemas se intensificam ainda mais”, explica.

O Impacto da Emergência Climática na Sociedade

A crise climática afeta diversos setores da sociedade. No setor educacional, por exemplo, muitas escolas têm enfrentado dificuldades para iniciar o ano letivo devido ao calor excessivo e à falta de infraestrutura adequada. Em estados como o Rio Grande do Sul, os alunos, que já sofreram interrupções na educação devido à pandemia e enchentes recentes, agora enfrentam mais um obstáculo: temperaturas extremas.

Além disso, os eventos climáticos extremos impactam diretamente a saúde pública, levando ao aumento de doenças respiratórias e infecciosas, além de complicações relacionadas ao calor, como desidratação e insolção. Esse cenário sobrecarrega os sistemas de saúde, já fragilizados por diversas questões estruturais.

A Necessidade de Uma Resposta Integrada

Para mitigar os impactos da policrise, é essencial um trabalho conjunto entre diferentes setores. “Não é apenas responsabilidade das comunidades encontrarem soluções por conta própria. As políticas públicas precisam chegar até elas, oferecendo suporte e investimentos em infraestrutura resiliente”, pontua Giatti.

Ao mesmo tempo, ele destaca que as comunidades possuem capacidade de auto-organização e soluções criativas que podem ser fundamentais na adaptação às mudanças climáticas. “Estratégias locais, como hortas comunitárias, projetos de reciclagem e sistemas de captação de água da chuva, têm demonstrado grande eficácia no enfrentamento da crise ambiental”, complementa.

Considerações Finais

A emergência climática já é uma realidade inegável, e seus impactos sociais são crescentes. A abordagem da policrise mostra que as crises ambientais não podem ser vistas de forma isolada, pois elas agravam desigualdades já existentes e afetam os setores mais fragilizados da sociedade. “Precisamos de uma resposta rápida e coordenada para evitar que esses impactos se tornem irreversíveis”, alerta Giatti.

A solução passa pela combinação de investimentos públicos, engajamento social e políticas que promovam a justiça climática, garantindo que os grupos mais vulneráveis tenham acesso a condições dignas de vida mesmo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Conteúdo USP: https://jornal.usp.br/radio-usp/a-emergencia-climatica-agrava-as-questoes-sociais/

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