O Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IESAPM) e a Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) formalizaram, no dia 26 de fevereiro, uma parceria para a oferta do curso online “Gerenciamento do Sangue do Paciente (Patient Blood Management – PBM)”. A iniciativa segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e busca aprimorar a formação de médicos no manejo de transfusões sanguíneas, promovendo benefícios clínicos e econômicos para o sistema de saúde.
A reunião contou com a presença de Antonio José Gonçalves (presidente da APM), Akira Ishida (vice-presidente da APM) e José Cesar Viana da Silva (gerente comercial do IESAPM). Representando a Unifesp, participaram os professores Isabel Cristina Céspedes (Disciplina de Genética da EPM), Carlos Eduardo Panfilio (Pós-Graduação em Medicina: Hematologia e Oncologia) e Nelson Americo Hossne Jr. (chefe da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da EPM).
“Com essa parceria, APM e Unifesp esperam contribuir ainda mais para a formação dos médicos, tornando-os mais capacitados e melhorando a assistência à população”, afirmou Antonio José Gonçalves, presidente da APM.
Gerenciamento do Sangue do Paciente: impacto e capacitação
O Patient Blood Management (PBM) tem sido amplamente reconhecido por sua capacidade de reduzir a morbimortalidade e otimizar os custos hospitalares, sendo um tema prioritário para a OMS. A iniciativa busca minimizar a necessidade de transfusões sanguíneas e oferecer alternativas terapêuticas mais eficazes.
O curso de capacitação em PBM, criado pelo Grupo de Estudos Avançados em Patient Blood Management da Unifesp, terá duração de 20 horas e será direcionado a graduandos, residentes, especialistas e gestores hospitalares. A formação abrange:
✅ Aspectos técnicos, científicos, éticos e legais da Medicina Transfusional
✅ Análise de estratégias restritivas para transfusões nas fases pré, intra e pós-operatória
✅ Discussão sobre bioética, autonomia e segurança do paciente
✅ Impacto econômico e científico das práticas transfusionais
Mudança na prática transfusional
Nos últimos anos, a Medicina Transfusional tem sido amplamente revisada com base em novas evidências científicas. Segundo a professora Isabel Céspedes, os avanços em estudos moleculares e celulares evidenciaram os impactos imunológicos das transfusões, associando-as a maior risco de infecções, tempo prolongado de internação e aumento da mortalidade.
“A associação entre transfusões de sangue e piores desfechos clínicos reforça a necessidade de uma mudança na prática transfusional, especialmente considerando o alto custo da hemoterapia e o envelhecimento populacional”, destacou Isabel.
O programa PBM já foi implementado no Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, consolidando a instituição como referência na adoção dessas práticas no Brasil.
PBM: uma questão ética e de segurança
Para Nelson Hossne, a transição para práticas mais seguras e baseadas em evidências é inevitável.
“A questão não é mais se devemos ou não adotar o PBM. Trata-se de um dever ético, pois administrar sangue desnecessário compromete a segurança do paciente”, concluiu.
Com essa parceria, IESAPM e Unifesp reforçam o compromisso com a qualificação médica e com a evolução das práticas transfusionais, trazendo impactos positivos para profissionais da saúde e pacientes em todo o Brasil.